VACINAS
Quando a época outono-inverno
chega, há um grande aumento nas campanhas de vacinação, uma vez que nesse
período as gripes se tornam mais frequentes, seja pela aglomeração de pessoas e
diversos outros fatores, é certo que os vírus nunca irão parar de circular, o
que torna a vacina indispensável para a sociedade. Porém, nem sempre ela foi
presente nos calendários da rede pública ou mesmo aceita pela população, como na
Revolta da Vacina em 1904, onde muitas pessoas não viam a prática de permitir a
introdução de um líquido desconhecido em seu corpo com bons olhos.
Os primórdios da história da vacina remontam a uma prática
milenar conhecida como variolização, utilizada por muito tempo contra a varíola,
uma doença atualmente já erradicada devido aos avanços que a vacina
proporcionou. Para a variolização, era preciso inocular o material retirado de
pústulas de um indivíduo doente na pele de um indivíduo saudável. Este último
adquiria a varíola em forma mais branda do que se ele tivesse sido infectado de
forma natural. Porém, mesmo com esse benefício, a doença ainda assim se
manifestava, e seus sintomas culminavam em cicatrizes no rosto e no corpo das
pessoas inoculadas.
Assim, apenas no final do século XVIII foi possível o descobrimento
da vacina propriamente dita. Um médico britânico chamado Edward Jenner realizou
um experimento onde usou a linfa retirada da vesícula de uma mulher que havia contraído
a varíola bovina. Depois, introduziu
essa linfa na pele de uma criança saudável, que desenvolveu a conhecida reação
eritêmato-pustulosa no local da incisão, além de alguns sintomas gerais. Após algumas
semanas, Jenner inoculou o pus da varíola humana na criança, que não adquiriu a
doença, pois já tinha desenvolvido a resposta imune e os anticorpos necessários
na primeira infecção. Dessa forma, o médico descobriu a vacina para varíola,
doença que foi erradicada oficialmente apenas no século XX, no ano de 1980,
devido a sua grande contribuição.
Atualmente, não faz parte do calendário de vacinação a
proteção para a varíola, uma vez que o vírus já não é mais circulante. Entretanto,
foram desenvolvidas vacinas para vários outros tipos de doenças não só virais,
mas também algumas bacterianas, como a BGC para tuberculose, onde administra-se
a bactéria atenuada, ou seja, enfraquecida para não causar a doença no
indivíduo. Com a introdução do patógeno alterado no organismo, a sua presença
estimulará o sistema imune a produzir anticorpos específicos para reconhecimento
do bacilo de Koch, ou Mycobacterium tuberculosis.
Assim, se a pessoa vacinada entrar em contato com a bactéria que causa a
tuberculose, seus anticorpos já estarão prontos para agir, tornando a resposta
imune muito mais rápida e inibindo a infecção.
Voltando aos vírus, é de se notar a ocorrência de uma
vacina diferente para gripe todo ano. Isso acontece pois o vírus Influenza, de
composição RNA, sofre muitas mutações, característica que funciona como um
mecanismo de alta virulência para ludibriar anticorpos já formados. Então, a
formulação da vacina requer alguns passos essenciais: começa-se pela epidemiologia
dos vírus Influenza que circula no ano inteiro em determinada região. Com essa
análise, são definidos quais são os mais presentes na área, ou seja, quais
vírus são mais frequentes. Depois, isola-se as cepas virais em ovos, que serão
incubados para o vírus poder se desenvolver e se multiplicar. Após algum tempo,
retira-se o líquido do ovo e é feito um estudo sorológico para determinar quais
desses patógenos desenvolvidos possui potencial para uso em vacinas. É
importante que esses vírus sejam fragmentados, pois assim ocorre sua
inativação, impossibilitando sua capacidade de causar doenças quando a vacina
for aplicada. Assim, uma vez inativados, encaminha-se para a finalização,
adicionando substâncias para que a vacina fique com a sua composição final,
pronta para administração por via intramuscular.
REFERÊNCIAS
FERNANDES, Tania
Maria. Imunização antivariólica no
século XIX no Brasil: inoculação, variolização, vacina e revacinação. Hist. cienc. saude-Manguinhos, Rio de Janeiro , v.
10, supl. 2, p. 461-474, 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702003000500002>
WHO - World Health Organization, A Description of the Process of Seasonal and H5N1 Influenza Vaccine Virus
Selection and Development. Disponível em: <https://apps.who.int/gb/pip/pdf_files/Fluvaccvirusselection.pdf?ua=1>
Muitoo bom!!! 👏❤️
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