DIABETES MELLITUS COMO CAUSA DE OUTRAS DOENÇAS
A diabetes mellitus (DM) é
uma doença de origem endócrina caracterizada pelo comprometimento da insulina,
hormônio que possibilita a entrada de glicose (energia) nas células. Com a
falta (DM1) ou resistência (DM2), não há energia disponível para as células,
além da alta concentração de glicose no sangue (hiperglicemia) gerar inúmeros
problemas que vão além do distúrbio da glicose, muitas vezes associando-se com
outras doenças, a citar hipertensão, dislipidemias, hepatopatias, problemas
renais, entre muitos outros. Algumas vezes a DM é uma consequência de doenças
não controladas, porém, esse distúrbio metabólico também pode facilmente
ocasionar essas enfermidades quando não há o controle glicêmico adequado.
Soma-se a maus hábitos alimentares e falta de exercícios físicos e o resultado
é uma incidência cada vez maior dessas doenças crônicas, que infelizmente já se
tornaram característica da saúde nos tempos atuais.
Uma das relações mais
comuns da DM é com a dislipidemia. Atualmente, nota-se uma certa frequência
entre indivíduos acima de 50 anos que apresentem as duas condições. Muitas
vezes, obesidade também é um fator presente. A dislipidemia caracteriza-se por
distúrbios no colesterol, este muito necessário para o funcionamento do
organismo ao compor parte da membrana das células, participar na síntese de
bile, hormônios esteroidais, vitamina D, etc. Porém, a hiperglicemia recorrente
no organismo pode provocar um aumento de produção de lipídios como uma forma de
compensar a falta de glicose entrando nas células devido a uma falta ou
resistência a insulina. Soma-se isso a obesidade, onde há excesso de gordura, e
valores baixos de HDL, o “colesterol bom”, em contraste com valores altos de
LDL, o “colesterol ruim”, é muito frequente encontrar pacientes com problemas como
por exemplo a aterosclerose, condição na qual os vasos sanguíneos possuem
“placas de gordura” que obstruem a passagem do sangue, provocando aumento da
pressão arterial, isquemia, aneurisma e hemorragia. Assim, nota-se um grande
aumento no risco de se desenvolver problemas cardiovasculares.
Além disso, também
nota-se um protagonismo da função hepática, uma vez que a sinalização de falta
de energia nas células faz o fígado quebrar sua reserva energética, o
glicogênio, em várias moléculas de glicose, que vão para a corrente sanguínea,
esta que já estava com excesso do açúcar. Com esse “bloqueio” de glicose,
alguns órgãos como o cérebro, que não podem usar fontes de energia vindas de lipídeos
e proteínas, exigem do fígado a função de corpos cetônicos, que em quantidades
excessivas acidificam o sangue. É importante ressaltar que a DM não compromete
apenas o metabolismo hepático como também todo o seu funcionamento,
principalmente quando associada a dislipidemia, pois a gordura acumulada no
fígado (esteatose) pode ocasionar um quadro de cirrose, onde grande parte das
células morrem e deixam a área ocupada por fibrose. Com uma área menor, várias
atividades hepáticas são comprometidas, a citar síntese de albumina,
bilirrubina e sua conjugação, quebra e armazenamento de glicogênio,
metabolização de substâncias, etc. levando a óbito por neurotoxicidade.
Por fim, um importante
sinalizador de ocorrência de diabetes mellitus é o rim, pois ele é o
responsável por excretar tudo que for inútil ou está em excesso no organismo. O
glomérulo é um importante filtrador, que deixa apenas partículas muito pequenas
e de pouca carga elétrica passarem. Geralmente, costuma “barrar” tudo que o
organismo precisa, principalmente energia. Porém, pode ocorrer de alguma
molécula importante passar despercebida, sendo função dos túbulos renais a sua reabsorção.
Logo, a presença de glicose na urina (glicosúria) demonstra que existe um
grande excesso de glicose no sangue, pois a energia não é algo que os rins, em
condições normais, iriam descartar. Entretanto, é importante ressaltar que para
se diagnosticar glicosúria como sintoma de DM é preciso descartar distúrbios na
função dos túbulos.
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